Le Entrevistou | Rosa de Saron celebra 35 anos de carreira e fala sobre legado, Grammy e futuro da banda

Com uma trajetória marcada por fé, rock e mensagens de esperança, o Rosa de Saron celebra 35 anos de carreira com a turnê 35+, relembrando sucessos e consolidando sua importância no cenário musical cristão. A banda, que já foi indicada três vezes ao Grammy Latino, segue inovando e conquistando novos públicos, mantendo sua essência desde os primeiros acordes.

Nesta entrevista exclusiva, os integrantes refletem sobre o legado que construíram, as mudanças e permanências ao longo da jornada, além da emoção de serem novamente reconhecidos pelo Grammy Latino. Eles também comentam sobre a evolução do cenário musical cristão no Brasil, experiências marcantes com fãs e os próximos passos da banda.

Le: Vocês estão comemorando 35 anos de carreira com a turnê 35+. Olhando para essa trajetória, qual acreditam ser o maior legado do Rosa de Saron?

Rogério: Acredito que o principal legado da Rosa de Saron é a coragem e a inovação. A gente inovou ao abrir o caminho em muitas frentes que não existiam. A gente foi a primeira banda de rock católico ‘pesado’ no Brasil. Fomos os primeiros desse segmento a gravar um DVD acústico estilo MTV; a gravar um CD com orquestra sinfônica… Então eu acho que a gente abriu muitos caminhos, né? Coisas que as pessoas achavam que talvez não fossem possíveis, a gente foi lá e conseguiu realizar, e isso abre portas para outros virem também, né? E nossa preocupação é de fazer sempre com excelência. Porque a música cristã não precisa ser de qualquer jeito só porque é cristã. Existe, às vezes, uma cultura disso: “pra Deus basta a sinceridade”, a sinceridade é importante e tudo, mas acho que a questão de fazer com capricho, com esmero, com qualidade, é uma coisa que o trabalho do Rosa ajudou a puxar essa régua pra cima assim, dentro da música católica, e eu acho que isso é bom pra todo mundo e puxa o mercado, né? Então esse acho que é o nosso principal legado.

Le: O que mais mudou na banda ao longo desses anos? E o que permaneceu inalterado desde o início?

Rogério: Muita coisa mudou nesses 35 anos, principalmente a gente. Éramos um grupo de adolescentes com o sonho de tocar nos encontros da igreja; hoje somos um grupo de homens maduros, já com outra realidade, de família, de filhos, enfim, isso muda muito, muda principalmente a gente. Com isso a gente mudou muito das referências musicais; fomos passando a ouvir outras coisas, curtindo outras coisas, desejando fazer estilos diferentes, então a estética musical também foi mudando muito com o tempo, e sempre no objetivo de estar atualizado, estar contemporâneo, estar conseguindo se comunicar com o público jovem, tentando fugir de ficar uma coisa datada, antiga, só pra pessoa nostálgica, só daquela época, né? A banda sempre tenta ser uma banda atual, do momento, e isso coloca a gente em constante mudança, e isso também traz uma satisfação pra gente, de poder experimentar coisas novas. Isso acaba alimentando e inspirando também. Mas a gente mudou esteticamente bastante nesses 35 anos. Mas o que permanece inalterado é esse desejo genuíno de fazer uma música com mensagem cristã, de amor, de esperança, de salvação, de paz, de fé. Isso permanece genuíno e é o que motiva a gente até hoje; temos o mesmo objetivo de 35 anos atrás. Não saberíamos ser uma banda com outros interesses de tema, de abordagem, isso não motiva a gente; o que nos motiva é levar as pessoas a essa experiência de encontro com Deus. Isso graças a Deus continua inalterado no DNA da Rosa de Saron.

Le: Vocês foram indicados ao Grammy Latino 2024 na categoria “Melhor Álbum Cristão em Língua Portuguesa” pela terceira vez. Como receberam essa indicação e qual a importância desse reconhecimento para a banda?

Eduardo: Recebemos a notícia da indicação ao Grammy Latino de 2024 com muita alegria. Não que a gente trabalhe para ser premiado ou ganhar algum tipo de troféu, mas é sempre bom saber que o seu trabalho foi reconhecido e avaliado por pessoas técnicas, que entendem do métier da música, das produções e que reconheceram a qualidade do trabalho; isso deixa a gente muito feliz e consciente de que realmente fizemos o nosso melhor e esse nosso melhor rendeu frutos reconhecidos tecnicamente por pessoas qualificadas. E tem um outro significado muito grande também para gente, porque nas últimas duas indicações, anos atrás era de outra forma. De lá para cá houve uma transformação grande, teve uma mudança de vocalista; e pra uma banda, quando você tem uma mudança do vocalista, é uma mudança estrutural gigantesca. As pessoas estão acostumadas a ouvir aquela voz; suas memórias afetivas são relacionadas àquela voz, então quando você começa com um vocalista novo, parece que você começa do zero e é necessário reconquistar as pessoas que já te conheciam e conquistar novas pessoas para você seguir sua carreira em frente. E aquela versão de banda já tinha sido reconhecida duas vezes pela academia do Latin Grammy. E agora essa nova formação ser chancelada pelo Latin Grammy é algo que nos deixa muito felizes; tanto a gente que é das antigas, que está nas duas formações, por saber que o trabalho que continua sendo feito ainda tem a mesma qualidade, a mesma reverberação do que teve no passado – não é uma banda que vive de passado, mas que ainda produz discos novos, músicas novas, novos sucessos na carreira, isso é muito importante -, quanto para o novo vocalista ver que o trabalho dele está dando ótimos resultados. É legal pro Bruno também passar por essa experiência. Enfim, foi muito gratificante e a gente ficou muito feliz.

Le: O que vocês acham que diferencia o som e a mensagem do Rosa de Saron dentro do cenário musical cristão e também fora dele?

Eduardo: É uma banda muito antiga, tem 35 anos, então, no começo, ela tinha uma proposta voltada muito para uma música bem pesada. Era uma outra época, anos 90, era onde se rolava Metallica nas rádios, Iron Maiden em rádio, então era quando o rock era muito forte no mundo e bem popular também. E naquele momento, a gente acreditava que, se a gente pudesse usar dessa linguagem estética com letras que pudessem sugerir reflexões sobre a vida, sempre dentro da ótica cristã, a gente poderia atingir um público diferenciado, um público de fora da igreja. Não só as pessoas que já conhecem a fé, que já tiveram uma experiência com Deus, que são frequentadores. A gente tinha uma comunidade de jovens e queríamos apresentar Deus para esses jovens, para que eles pudessem ter a mesma experiência que a gente teve. Então, resolvemos ir por nesse viés, por meio de um rock pesado, quase metal mesmo, na época lá de 90, 90 e pouquinho, e depois com a mudança do primeiro vocalista para o segundo, a gente continuou com a mesma linguagem literária, com mensagens falando de Deus e de fé, mas abrangendo todo o espectro bem maior da vida, de reflexões através de poesia, rock, fé, para que, por meio dessa reflexão, mostrar Deus e como ele pode agir na vida das pessoas, nas dificuldades e nesses momentos que todas as pessoas vivem. A gente acredita que a mensagem de Deus é universal, ela é para todos, não é só para quem está dentro da igreja, lógico. Então a gente tinha uma linguagem musical e estética, voltada para o que acontecia na época, que era um rock mais pesado, e uma linguagem literária também um pouco diferente, não eram músicas de louvor e adoração, mas tinham reflexões. E com o tempo, a banda também foi se modificando, ela não faz o mesmo som que fazia 35 anos atrás, a gente sempre vem buscando as vertentes que o rock possui, que sçao inúmeras, pra ver quais que a gente pode fazer nos dias de hoje e que possa não perder a caracterização do rock, mas também ser popular, para que eu possa ir numa praça pública, fazer um show. A gente tenta, por meio de algumas vertentes do rock, fazer uma música que também seja de fácil paladar para as pessoas de modo geral, para que a gente realmente consiga criar conexões com o público para passar a nossa mensagem. Então não nos prendemos a um estilo, a uma vertente, a gente se prende à raiz da mensagem; eu preciso falar a minha mensagem, eu preciso que as pessoas ouçam, eu preciso criar conexões com elas, senão não há transformação, não há porque continuar. E gente vai surfando sempre com o cuidado de não se descaracterizar totalmente, mas se você ouve os primeiros discos e os últimos discos, há uma diferença muito grande, mas ela foi sempre um processo, são 35 anos, não é um disco de um jeito ou um disco de outro jeito, é um disco de 30 anos atrás, depois os outros vão se modificando e se modificando até chegar nos dias de hoje. Então, eu não sei se a gente tem uma característica diferente dos outros musicalmente, eu acho que você vai encontrar essa sonoridade que o Rosa do Saron faz, tanto no meio não cristão como cristão, mas eu acho que a grande diferença talvez seja a forma de como falar da fé, por meio de outros pontos de vista, se colocando no lugar das pessoas que também não são de igreja, e isso tem funcionado muito; muitas pessoas que não são cristãs ouvem, se emocionam, se conectam e vêm no camarim contar seu testemunho: “eu não sou de igreja, mas eu ouço as músicas e sinto uma paz muito grande, me ajudou muito”, e eu acredito que isso é uma pequena semente que é plantada no coração da pessoa. A gente tem que lançar a semente para o mundo e se cair numa terra fértil, que beleza, e que a pessoa possa ter um encontro pessoal com Deus e se transformar. Mas eu acho que não há uma grande diferença musicalmente falando; talvez o jeito de se comunicar com as pessoas por meio da letra seja um pouco diferente da grande maioria, porque a maior parte dos artistas hoje tem um trabalho voltado para adoração, para louvor, e a gente tem essa característica de primeiro anúncio, de tocar no meio de gente que não tem a mínima noção do que é uma fé, e tentar ali explicar tudo o que está acontecendo de alguma maneira.Se eu usar algum jargões, se eu usar um linguajar que é bem usado dentro da igreja, talvez para eles soe um pouco esquisito, então a gente se preocupa também com isso, mas, claro, temos uma ou outra música que fazemos voltada para o público cristão mesmo, porque a gente acha importante também ter aquela música de louvor e de adoração no meio do trabalho.

Le: No último Carnaval, vocês se apresentaram no Carnaval Cristão em Palmas e comentaram sobre a importância de eventos como esse abrirem espaço para artistas cristãos. Como veem essa abertura no cenário musical brasileiro?

Bruno: Eventos como o ‘Capital da Fé’ são uma alternativa muito bem vinda pra quem quer comemorar o Carnaval sem deixar de lado seus princípios cristãos. A gente sabe que o Carnaval, mesmo sendo um verdadeiro patrimônio e identidade da cultura brasileira, é também uma festa que tem alguns excessos e ambientes muitas vezes contraditórios para pessoas que seguem a fé cristã. Então esses espaços que o cristianismo recebe, principalmente nesses períodos, são de grande oportunidade pra quem quer se divertir, celebrar a cultura e a arte sem deixar de lado nossa fé seus valores.

Le: O álbum Rosa de Saron In Concert foi considerado um dos maiores e mais emocionantes da carreira da banda. Como foi o processo de criação desse projeto e o que vocês planejam para superá-lo?

Bruno: A realização de um projeto como o In Concert, que une o rock ao erudito, é o sonho de toda banda do nosso gênero, mas é algo bem complexo de realizar, então poucos conseguem, ainda mais uma banda católica, que tem um cenário específico e desafiador. É um sonho antigo do Rosa, e veio depois de 35 anos de carreira, o que nos deu a oportunidade de reimaginar nossos grandes clássicos em um formato inédito aos ouvidos dos nossos fãs, além de dar espaço a canções inéditas, pensadas completamente para este tipo de projeto. Foi um desafio imenso, mas também gratificante, por ser uma estética muito bonita, emocionante e divertida de criar. No fim das contas, temos muito orgulho do resultado final. Agora, olhando pra frente, é hora de mais uma vez superar tudo o que a gente já fez. A gente gosta de pensar os novos passos sempre em um modo mais ambicioso e, claro, inédito. Temos algo muito especial vindo ainda em 2025, um álbum completamente novo, que vai nos levar a uma nova direção. Estamos muito empolgados e dedicados nisso. Em breve vocês vão ver tudo.

Le: A proposta da banda sempre foi levar uma mensagem de fé, esperança e amor por meio do rock. Como percebem a recepção dessa mensagem hoje em comparação com o início da carreira?

Grevão: Sim, nosso chamado sempre foi levar as boas novas. Mostrar por meio da música o que Deus fez em nossas vidas. Desde sempre nós recebemos o público depois das apresentações e aí temos o tête-à-tête; foi assim que percebemos que a banda realizou sua missão. Também temos a ajuda das redes sociais, que encurtaram distâncias. Por elas recebemos as histórias que não chegaram ao camarim. Hoje temos mais certeza ainda do nosso chamado.

Le: O público de vocês é muito fiel e diverso. Já receberam histórias marcantes de fãs que foram impactados pela música de vocês? Alguma que tenha emocionado vocês recentemente?

Grevão: Sim. E aproveito para dizer que essas histórias nos emocionam e nos motivam! A mais recente foi na cidade do Porto, em Portugal, onde encontramos um membro do fã clube que tinha ido tentar a vida em Portugal. Ele nos contou como foi importante esse show na vida dele, já que ele tinha largado tudo do Brasil. E quando você é imigrante, a coisa não é tão bonita como quando se é turista. Para ele foi muito difícil e até passou muita dificuldade. Com as músicas ele pôde acalentar a saudade dos pais, familiares e amigos, e com o show ele pôde se aproximar mais uma vez de Deus e ter forças para continuar sua empreitada. Essas histórias são como combustível para nós.

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Eu sou a Le Ferrarez. Viciada em música, amante de cinema, consumidora da cultura sertaneja e apaixonada pelo mundo geek. Série preferida: Friends Saga preferida: Star Wars Bandas preferidas: Imagine Dragons e RBD